Dandara Hahn





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Dominar para Degradar, 2021

Instalação performativa.

Trabalho feito com a artista sonora Luisa Lemgruber para Laboratórios do Sensível - intervenções artísticas no ecofeminismo - para o Goethe Institut-Brasilien.
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Dominar para Degradar, 2021 

Performantive instalation.

Performance made with the sound artist Luisa Lemgruber for Laboratórios do Sensível - artistic interventions in ecofeminism - for the Goethe Institut-Brasilien.

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Com a pandemia, as interações de grande parte da população passaram a ser intensamente mediadas por telas, e o corpo e seus sentidos ocuparam um segundo plano. Com Laboratórios do Sensível, o Goethe-Institut convidou astistas para encontros que focados na capacidade de nos relacionar, apesar e através do distanciamento social necessário que o momento exige. O ponto de partida é o diálogo entre práticas estéticas e éticas de mulheres e pensamentos ecofeministas que ganharam mais espaço e atenção no Brasil nos últimos anos. Algumas das artistas convidadas já praticam esse diálogo, outras se uniram ao projeto em uma transversalidade de caminhos.

A instalação performativa deu continuidade a um processo que Dandara  Hahn e Luisa Lemgruber exploraram juntas ao longo do segundo semestre de 2020. As artistas performaram na tentativa de construir ao ar livre um cubo metálico constituído por bordas de hastes de aço flexíveis fincadas ao solo, afim de cubrir as superfícies com alumínio em lâminas.  

Na tentativa de consolidar esta estrutura de materialidade maleável, frágil e sonora, a ação é marcada por uma repetição física e subordinada à ordens externas, pensando na representação do elemento terra, pertencimento ao território e afirmação dos corpos. O registro foi feito por três dispositivos de filmagem que registraram o processo simultaneamente, montados em ângulos diferentes. Como resultado, o trabalho foi apresentado em formato de vídeo, apresentando o processo performático dessa construção, evidenciando a sonoridade do material e da paisagem, e apresentado durante uma fala em Laboratórios do Sensível.


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Parede Cogumelo, 2020

Dimensões variáveis

Alumínio em folhas, componentes eletrônicos, orquídeas, desenhos feitos com caracteres e impressos em silk-screen.    
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Mushroom Wall, 2020
Variable dimensions

Aluminum foil, electronic components, orchids, drawings made with characters and printed on silk-screen.








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Topografia de um Toro 02, 2020
        

1,80 x 1,80 m

Folhas de alumínio, resina.
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Topography of a Torus 02, 2020

1,80 x 1,80 m

Aluminum foils, resine.


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Topografia de um Toro, 2020
        

Dimensões variáveis.

Folhas de alumínio, nylon, componentes eletrônicos, dispositivo de choque elétrico e eletrodos.
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Topography of a Torus, 2020

Variable dimensions.

Aluminum sheets, nylon, electronic components, electric shock devices and electrodes.

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Nivelador, 2020

Niveladores bolha, massa epóxi bicomponente, espelho, rodas em gel.
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Leveler, 2020

Bubble levelers, two-component epoxy, mirror, gel wheels.

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Passagem 01, 2020

1,0 x 2,8 m

Lâminas de plástico polaseal, lâminas de alumínio, desenhos feitos com programação em Processing impressos em silk-screen, argolas niqueladas, cabo de aço.
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Passagem 01, 2020


1,0 x 2,8 m


Polaseal plastic, aluminum foils, drawings made with Processing programming printed in silk-screen, nickel plated rings, steel cable.


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Passagem 02, 2020

Dimensões variáveis

Nivelador de construção à laser.
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Passage 02, 2020

Variable dimesions

Laser construction leveler

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Passagem 01, 2020

1,0 x 2,8 m

Lâminas de plástico polaseal, lâminas de alumínio, desenhos feitos com programação em Processing impressos em silk-screen, fita hellerman, fio de freio de bicicleta, anzol, estrutura de aço.
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Passage 01, 2020


1,0 x 2,8 m


Polaseal plastic, aluminum foils, drawings made with Processing programming printed on silk-screen, hellerman tape, bicycle brake wire, fish hook, steel frame.


LEMÚRIA
04.12.2020-13.21.2020
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*+-29*sat-jup foi uma instalação individual que aconteceu dentro de Lemúria, uma exposição coletiva de instalações e intervenções artísticas,  com curadoria de Ana Beatriz Almeida e Bianca Bernardo. Constituída por oito trabalhos que têm como característica principal a materialidade de suas estruturas, que se mostram sensíveis às mudanças climáticas e à presença humana.

A montagem da instalação aconteceu por campos interdisciplinares que transitaram em formas de dissolução entre o artificial e o natural, construindo conexões sutis e materiais instantâneas entre os trabalhos. Operou criando espaço à uma mediação possível para um futuro regenerativo e a contingência do corpo feminino como um destilador ancestral dos males da humanidade. Acredito que as obras não foram executada por mim sozinha e que o público pôde descobrir informações que não desconfiei que transmitiria ao lidar com o coeficiente artístico.

A descoberta mais significativa do trabalho se deu no entrelaçamento das camadas de informações que surgiram do tempo de concepção, que me levaram a refletir sobre ser a hora de aceitar o estado de crise como um período de tempo constante e não passageiro e, consequentemente, sobre a necessidade de inventarmos um futuro com cuidado, entendendo os resíduos, as decomposições e os sedimentos que lidamos diariamente como parte de sintomas sistêmicos.

*+-29*sat-jup aconteceu na residência artística Kaaysá, em Boiçucanga - São Paulo, e contou com ativações energéticas diárias do espaço, feitas às 18h.

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* + - 29 * sat-jup was an individual installation that took place inside Lemúria, a collective exhibition of installations and artistic interventions, curated by Ana Beatriz Almeida and Bianca Bernardo. Consisting of eight works whose main characteristic is the materiality of their structures, which are sensitive to climate change and human presence.

The installation took place in interdisciplinary fields that moved into forms of dissolution between the artificial and the natural, building subtle and materials connections between all the artworks. It operated by creating a possible space of mediation for a regenerative future and the contingency of the female body as an ancestral distiller of the evils of humanity. I believe that the works were not executed by me alone and that the public was able to discover information that I did not suspect it would transmit when dealing with the artistic coefficient. The most significant discovery of the work was in the interweaving of the layers of information that emerged from the time of conception, that led me to reflect on accepting the state of crisis as a constant and non-passing period of time and, consequently, on the need to invent a future, carefully, understanding the waste, decomposition and sediment that we deal daily as part of systemic symptoms. * + - 29 * sat-jup took place at the Kaaysá artist residency in Boiçucanga - São Paulo, with daily energetic activations of the space, made at 6 pm.



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Texto: Bianca Bernardo

A artista Dandara Hahn encontrou no desenvolvimento do projeto *+-29*sat-jup, durante o programa de residência Quem Somos Agora, uma forma de trabalhar o fechamento simbólico do seu período pessoal de Retorno de Saturno, construindo uma pesquisa artística de autoconhecimento através da investigação de materiais como o alumínio, usando suas características de condutividade, reatividade e reciclagem. Para Dandara, a criação de um campo para suas obras é de grande importância, e a partir dele, são propostos trânsitos e dissoluções entre fronteiras que demarcam o artifício e a natureza, o virtual e o real; o campo convida o público para novas descobertas e sensações no encontro com a obra e as camadas de energia que são instauradas por elas.

Ao olhar para o céu, Saturno é o último planeta do nosso sistema à vista, o que simbolicamente na astrologia associa-se aos nossos limites, mas também às crenças limitantes. O Retorno de Saturno nos fala sobre o tempo necessário para que o astro complete uma volta em torno do Sol, possibilitando compreensões desse movimento como o espaço necessário para o amadurecimento humano e tomada de consciência dos caminhos que desejamos ou não seguir e de que forma daremos a condução de nossas vidas.

Portais cósmicos e transportes multidimensionais são oferecidos para a urgência do pensamento sobre a invenção de novos futuros e da nossa existência interdependente, no qual poderíamos começar pela ínfima parte do ser, uma partícula do universo, ou perceber que mesmo o nosso corpo não sentindo na pele o impacto dos neutrinos, eles não nos deixam de atravessar, a cada segundo, como uma nuvem fantasmagórica formada por 100 bilhões de partículas subatômicas, que passam por nós incessantemente e sem deixar vestígios.
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Arara Encantada, 2020

1,0 x 2,5 m

Lâminas de alumínio, desenhos feitos com programação em Processing impressos em silk-screen, arara de metal, vela.
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Enchanted Clothes Rack, 2020


1,0 x 2,5 m


Aluminum foils, drawings made with Processing programming printed on silk-screen, clothes rack, candle.

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Ornamentação, 2020

Dimensões variáveis

Alumínio, plantas e madeira.
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Ornamentation, 2020


Variable dimensions


Aluminium, plants, wood sticks.

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*Satélite01*, 2019

1,50 x 1,40 m

Plástico, alumínio, componentes eletrônicos, barra de alumínio, desenhos feitos com programação em Processing impressos em silk-screen.
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Sattellite01*, 2019


1,50 x 1,40 m


Plastic, aluminum, aluminium bar, electronic components, drawings made with Processing programming printed on silk-screen.

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*Satélite02*, 2019

1,50 x 1,40 m

Plástico, alumínio, componentes eletrônicos, barra de alumínio, desenhos feitos com programação em Processing impressos em silk-screen.
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Sattellite01*, 2019


1,50 x 1,40 m


Plastic, aluminum, electronic components, aluminium bar, drawings made with Processing programming printed on silk-screen.

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Tostex, 2019

22 x 70 x 130 mm

Esponja, adesivo e base de alumínio.
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Tostex, 2019


22 x 70 x 130 mm


Sponge, sticker, aluminium.

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PARTÍCULAS
Coletiva com Simon Fernandes
21.11.19 - 30.11.19
Texto: Guilherme Teixeira

Circuitos, luzes, chumbo, tecidos, plástico, projeções, entre outros, descrevem a gama de materiais que se deslocam em um fluxo constante na exposição Partículas, proposta de Dandara Hahn e Simon Fernandes para a galeria do Massapê. Partindo da ideia de um núcleo sólido que guia o movimento dos objetos no espaço, os artistas buscam por meio de um jogo entre texturas e plasticidades presentes nos trabalhos, abordar o atrito que há entre os objetos e as coisas, trabalhando uma relação de dissolução da escala e da materialidade, luz e texturas, propondo pontos de tensão onde o corpo do espectador é guiado pelo espaço expositivo, e as novas relações de convívio com outras possibilidades dos materiais e das superfícies se apresentam.
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Circuits, lights, lead, fabrics, plastic, projections, among others, describe the range of materials that move in a constant flow in the exhibition Particles, a proposition by Dandara Hahn and Simon Fernandes for the Massapê gallery. Starting from the idea of a solid core that guides the movement of objects in space, the artists aim, by playing with the textures and plasticity that are present in the pieces, to address the friction that exists between objects and things, working a relation of dissolution of scale and materiality, light and textures, proposing points of tension where the spectator's body is guided by the exhibition space, and the new relation of coexistence with other possibilities of materials and surfaces are presented.


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Texto: Guilherme Teixeira
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Muito pode ser dito dos estados de manipulação dos objetos de arte através da história, mais especificamente da historicidade do século XX, porém a perspectiva sobre a usologia dos objetos com finalidade somente estética em sua maioria se destaca das possibilidades de deslocamento afetivo que o procedimento artístico possibilita.

Um dia, em uma conversa com Simon Fernandes, ele começou a me falar sobre a paixão do inventor Nikola Tesla pelos pombos que visitavam a sua varanda na cobertura de um hotel em Nova Iorque em meados do século XX. Ele me falou, mais especificamente, sobre a verdadeira paixão que Tesla desenvolveu por uma pomba em especial. É dito que, na ocasião da morte da pequena pomba, o desamparo de Tesla deflagrou sua própria morte horas depois. O ponto aqui não é debater a veracidade ou os fatos dessa estória - trago-a a tona para falar sobre uma relação íntimo que desenvolvemos com aquilo, orgânico ou artificial, onde projetamos nossas consciências. Neste movimento entre materialidade usual e afetividade corrente, para conceber um espaço onde os objetos derivam tanto da manipulação mínima de uma peça doméstica, como um cobertor, quanto de uma industrialização latente, como em plásticos, moldes e recipientes, postulo duas perguntas: em que momento o interesse nos objetos e discursos que se destacam do cotidiano se entrelaçam na construção de uma narrativa espacial? Como conceber um espaço expositivo a partir de deslocamentos aparentemente distantes, não posicionando-os em tensões, ou mesmo em uma relação paradoxal, mas sim enquanto contradições harmônicas que possibilitem uma nova leitura da materialidade inexata que habita o que está ali?

Embora não tivessem sido especificamente verbalizadas a Dandara ou Simon, sinto que de certo modo essas perguntas inconscientemente orientaram a escolha do eixo que guiaria esta exposição, tanto expográfica quanto conceitualmente. Partindo da ideia de partículas, mais especificamente de seus movimentos, buscou-se construir um espaço onde um eixo afetivo, quase como que em um movimento centrífugo, levaria a cabo o jogo ímpar entre tecido, lasers, luz, plástico, chumbo, água e som que constroem a dança entre os discursos dos artistas: neste jogo, não apenas a semântica dos materiais ditam as regras, mas também a própria relação entre as superfícies, seus interiores e transparências, assim como o modo como ele tece o percurso do espectador. 

Diversas são as relações que se constroem, porém a tônica que urge de todas elas é singular: dentro dos estados de materialidade usual ou afetividades correntes que se entremeiam aqui, a única certeza que podemos ter deste espaço (se podemos ter alguma), é sobre a cada vez mais necessária projeção do gesto em relação a tudo que nos circunda; para tanto, não nos esqueçamos da urgente necessidade de ressignificar o comum, ou do amor de Tesla por seus pombos.
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A lot can be said about the states of manipulation of art objects through history, more specifically about the historicity of the twentieth century, but the perspective on the utilization of objects for aesthetic purposes only mostly stands out from the possibilities of affective displacement that the artistic procedure enables.

One day, in a conversation with Simon Fernandes, he began to tell me about the passion of inventor Nikola Tesla for the pigeons who visited his balcony on the roof of a New York hotel in the mid-twentieth century. He told me, more specifically, about the true passion Tesla developed for a particular dove. It is said that, at the time of the death of the little dove, Tesla's helplessness triggered his own death hours later. The point here is not to debate the truthfulness or facts of this story - I bring it up to talk about an intimate relationship that we develop with things, organic or artificial, where we project our consciences. In this movement between usual materiality and current affectivity, to conceive a space where objects derive from both the minimum manipulation of a household part, such as a blanket, as well as latent industrialization, like in plastics, molds and containers, I post two questions: at what moment does interest in objects and speeches that stand out from everyday’s life intertwine in the construction of a spatial narrative? How to conceive an exhibition space from seemingly distant displacements, not positioning them in tensions, or even in a paradoxical relationship, but as harmonic contradictions that allow a new reading of the inaccurate materiality that inhabits what's there?

Although they had not been specifically verbalized to Dandara or Simon, I feel that in a way these questions unconsciously guided the choice of the axis that would guide this exhibition, both expographic and conceptually. Starting from the idea of particles, more specifically from their movements, it was sought to build a space where an affective axis, almost as in a centrifugal movement, would carry out the odd game between fabric, lasers, light, plastic, lead, water and sound that build the dance between the speeches of the artists: in this game, not only the semantics of the materials dictate the rules, but also the relationship between surfaces, their interiors and transparencies, as well as the way it weaves the path of the spectator.

There are several relationships that are constructed, but the emphasis that urges all of them is unique: within the states of usual materiality or current affectivity that intersect here, the only certainty we can have of this space (if we can have any), is about each necessary projection of the gesture in relation to everything around us; to do so, let us not forget the urgent need to re-signify the common, or Tesla's love for his pigeons.


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Colcha, 2019

2x2,40 m

Colcha, plástico, linha, barra de alumínio.
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Quilt, 2019


2x2,40 m


Quilt, plastic, sewing thread, aluminum bar.

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Flora, 2019

17x14x10 cm

Esponjas de alumínio, adesivos,
alfinetes e concreto.
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Flora, 2019


17x14x10cm


Aluminum sponges, adhesive,
pin and concrete.

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Centopéia, 2019

17x26x4 cm

Resina cristal, lâminas de plástico,
desenho de caracteres impresso
em silk-screen.
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Centipede, 2019


17x26x4 cm


Resin, plastic, keyboard characters
draw printed on silk-screen.

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Sala, 2019

Dimensões variáveis

Emabalagens plásticas, plástico-bolha.
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Living Room, 2019


Variable Dimensions


Plastic wrapping paper, bubble-wrap.